IB03.43

A Antenalidade como a inteligência primordial  


Regularmente me perguntam qual seria o melhor conceito para inteligência e por quê. Respondo: sem desprezar outros sinais de inteligência como criatividade, boa memória, concentração, paciência, lógica, adaptação, percepção, aprendizado, avaliação e intuição, creio que a compreensão seja o melhor conceito. O que conceituamos por inteligência-antenalidade. Por um motivo simples: é a que tem maior efeito social na atualidade, neste mundo em que as pessoas cada vez mais estão mais sensíveis, mais agressivas e menos compreensivas, apesar da certeza de sua capacidade crítica.

Algumas reflexões ajudam a entender.

·        Reflexão 01. O radical. Antenalidade tem o mesmo radical que antena, assim destaca a captura (a compreensão) como característica essencial das inteligências. Sabemos que alguns preferem destacar a criatividade como sinal de inteligência, mas a encontramos na burrice. Haja raciocínios, ideias, certezas e pensamentos criativos e burros. Outros a associam com o aprendizado, mas as pessoas emburrecidas que conhecemos dominam algumas áreas, aprenderam muita coisa. Com a antenalidade é diferente, ela é exclusiva de pessoas inteligentes. Pessoas emburrecidas até se atentam com outras pessoas. Julgam, criticam, avaliam, mas sempre desprezam os objetivos e intenções da contraparte, nunca tem compromisso com a sua compreensão.

·        Reflexão 02. Sabemos que este conceito não é viralizado, pelo contrário, costuma ser combatido, no mínimo, desprezado. Podemos especular o motivo: a antenalidade diminui vários dos sintomas de burrice, não canso de comentar.

·        Reflexão 03. Percepção ou antenalidade. Considere frases e comportamentos de outras pessoas. Certamente quem as observa pode avaliar e entender o que querem dizer ou mostrar. Mas utilizam, pelo menos a princípio, de seus próprios saberes na avaliação. Para um mesmo comportamento da mesma pessoa, um psicólogo, um psiquiatra, um pastor, a mãe, o irmão e o amigo costumam capturar interpretações diferentes. Para o mesmo comportamento de pessoas diferentes, também podem concluir intenções diferentes. Usamos de nossos conhecimentos e insights para tanto. Perceber ou dar sentido é reconhecidamente sinal de inteligência para os defensores do senso crítico, não discordamos. Mas... a contraparte concorda? Nem todos os alunos entendem o ensino do professor, nem todas as pessoas compreendem poesia da mesma forma, nem toda oração tem sua intenção compreendida e assim por diante. Há os que capturam a mensagem, são estes que identifico e destaco como antenados. Sem desmerecer saberes e estudos de alguns dos outros, há uma atividade mnemônica diferencial presente nos antenados, atividade esta cada vez mais desprezada na nossa cultura em prol do tal senso crítico. E penso que não é por acidente, dado o fato de facilitar no controle social.

·        Reflexão 04. Inteligência versus conhecimento e domínio técnico. A inteligência ou algumas de suas características (memória, lógica, paciência, concentração etc.) facilitam o acúmulo de conhecimento e o domínio de técnicas, mas não deve se confundir inteligência com estes acúmulos. Pelo menos neste grupo de estudos. Temos certeza que outros conceitos se aplicarão melhor em outros momentos, mas não aqui, nas nossas propostas.

·        Reflexão 05. Criatividade versus captura. Entre os sinais de inteligência está a capacidade em criar, sejam movimentos, ideias, produtos ou atividades. Palavras, poemas, esportes, expressões corporais, programas de IA, charadas, coreografias, danças, músicas, artes em geral – sempre há a possibilidade em produzirmos novidades, em sermos criativos, e isto caracteriza inteligência, não podemos negar. Mas isto não nega que a captura de intenção também seja inteligência.

Antes de criar uma música, devemos compreender o uso do instrumento e de partituras. Antes de criar contos, poemas e poesias, devemos dominar a linguagem. Antes de vencermos um recorde, devemos dominar o esporte em questão. Antes de intercedermos na vida de alguém como médico, pastor, amigo, psicólogo, enfermeiro ou parapsicólogo, devemos conhecer seu caso, suas vicissitudes. Antes de criarmos um novo tipo de arte, devemos dominar os materiais que utilizaremos. Antes de sermos bons ferreiros, carpinteiros, fotógrafos ou motoristas, devemos compreender ou conhecer as ferramentas, regras e insumos de trabalho.  Para a memorização, a concentração, a criatividade, enfim, para a inteligência produzir, é necessária alguma captura antes. É preciso estar ligado, estar antenado. É esta antenalidade que considero a essência das inteligências e que não é do interesse do Sistema.

Reflexão. Inteligência versus burrice. Se considerarmos inteligência e burrice como antitéticos – um excluindo o outro, creio que antenalidade seja a característica mais propícia para antagonizar a burrice. Afinal burrice consiste na incapacidade em apreender as intenções e argumentos de outras pessoas, não a capacidade em dominar técnicas, aptidões e dons mnemônicos. Há dúzias de sinais de burrice, em todos estes, percebemos os esforços em manter seus próprios saberes e crenças, em negar ou impedir outros saberes. Há sempre certa polarização na burrice entre o certo e o errado. Por isto a capacidade em capturar novos saberes, em entender, em compreender aparenta ser a inteligência primordial.

·        Reflexão. Antenalidade e a busca pela verdade. Já vimos Inteligência.13- a busca pelo saber, do conhecimento ou pela verdade que inteligência pode ser conceituada pela busca do saber, do conhecimento ou pela verdade. Ora, o conceito de inteligência como antenalidade deriva deste conceito: a busca pressupõe a capacidade de captura desse saber, conhecimento ou verdade.

 

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