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Acupuntura X Sangria

 


 

Regularmente afirmo que as informações da MTC incluem asserções sem qualquer fundamentação histórica. Vejamos mais uma.

Acupuntura

A acupuntura atualmente é feita com finíssimas agulhas de aço. Que certamente não existiam na idade da Pedra e do Bronze, períodos em que em que a acupuntura já seria praticada na China.

A Fisiologia mostra que as reações eliciadas por agulhas são terapêuticas. A prática mostrou antes.

Como o nome já diz, consiste na punção de ponto.

Sangria

A sangria, prática que dominou na Medicina desde o seu aparecimento no século IV AC até o século XVIII, também é terapêutica. Promove algumas reações similares e outras bem diferentes da acupuntura sem sangria, a que predomina atualmente. Claro que tem mais coisas em comum com a acupuntura molhada (quando há extração de um pouco de sangue).

Ao perder sangue, nosso organismo reage produzindo imediatamente sangue. Sangue é um produto com muitos componentes.

Os glóbulos brancos, os anticorpos, os hormônios, os glóbulos vermelhos e os outros componentes sanguíneos produzidos e repostos imediatamente após a sangria têm ação em vários sintomas como febre, cólicas, dores em geral, cólicas menstruais, insônia e anemia.

Assim o principal mecanismo da sangria não é o principal mecanismo da acupuntura sem sangria.

Para praticar a sangria, também é necessária a punção de ponto.

Punção de pontos

Para praticar a sangria Hipócrates, seus contemporâneos e sucessores precisavam ter uma cartografia com os pontos. Não poderiam perfurar um linfângio, uma artéria, uma veia, uma víscera nem cortar um tendão. Assim como os praticantes de acupuntura.

Também precisariam de técnicas de assepsia - ou a infecção comprometeria até a vida do paciente. Tanto os praticantes de sangria quanto os de acupuntura se atentavam com assepsia e localização anatômica.

Sangria grega

Sabemos que Hipócrates é reconhecido como pai da Medicina porque foi o primeiro a tratar quadros clínicos com teoria diferente de pajés, bruxos, curandeiros e sacerdotes (veja em Por que o pai da Medicina é Hipócrates e não um chinês?). Também sabemos que as amputações e as sangrias consomem boa parte de seus registros. Por que sua obra não fica disponível para o público em geral conferir?

Cadê as cartografias com os pontos e as técnicas de assepsia gregas e européias?

 

Sangria Oriental

Em várias obras de acupuntura achamos referência ao Zheng Dacheng, Compêndio de Acupuntura e Moxabustão, compilado em 1601, que registra gravura de agulhas de acupuntura e como aplicar nove tipos de agulhas, cópia ao lado.

Não é preciso ser um médico historiador para percebermos que trata de agulhas para sangria. Mesmo as agulhas que se assemelham às atuais (a terceira, a quarta e a sétima), sabemos que são mais robustas que estas simplesmente porque não havia tecnologia suficiente na época para que fossem tão finas.

 

Quando conheci a acupuntura, no final dos anos 80, fui apresentado às agulhas de ouro e prata, assim como a de sangria (agulha triangular), além das de aço. Excluída estas últimas que são as atuais, todas as outras provocam sangria - ou seja, ainda na década de 80 a acupuntura se mesclava com a sangria.

Vários documentários sobre acupuntura apresentam indiscriminadamente a inserção de agulhas e a retirada de sangue. Isto facilita a confusão entre o que é acupuntura no que se difere de sangria. Vale então lembrar que a palavra acupuntura é a corruptela das palavras acu e puntura. Acu de ponto e puntura de punção: sangria! Todos os textos antigos que supostamente se referem à acupuntura que conhecemos na verdade se referem à sangria, algo desenvolvido e praticado na Grécia a partir do séc. IV AC.

Conclusão até agora: a prática da sangria era comum tanto no Oriente quanto no Ocidente. Na atualidade, os orientais chamam a sangria de acupuntura para dar a impressão que apenas eles praticavam a acupuntura-sangria. A quem interessa essas informações tendenciosas - a que apenas no Oriente se praticava a acupuntura e que o Ocidente desconhecia as cartografias de localização dos pontos?

Bom, a História, por enquanto, mostra assim: a sangria apareceu na Grécia a partir do séc. V aC, sendo compilada por Hipócrates no século IV aC.

Certamente não havia a produção de agulhas de aço na China antiga. Sabemos também que a China se vale de textos antigos para afirmar que a acupuntura é feita conforme suas orientações. Sim, os textos são antigos, a acupuntura na atualidade é feita conforme suas orientações e a acupuntura era prática chinesa nos séculos XIII em diante, apesar de os textos serem bem mais antigos - e não tratavam de sangria em pontos. Pesquise, na internet, o livro do imperador amarelo. Enquanto se mantém essa confusão, pensamos que a acupuntura é milenar e chinesa.

Ou seriam as agulhas chinesas antigas de espinhas de peixe e/ou farpas de bambus, como relatado por algumas obras?

Em tempo: algumas obras de acupuntura relatam que no século XVIII um jesuíta descreveu o uso da acupuntura na China. Para quem não sabe, os jesuítas, por séculos, estavam presentes em todas as atividades de praticamente todos os estados e colônias européias, sempre acompanhando todas as missões pelo mundo, inclusive na China: descreviam tudo que viam e seus relatórios serviam para a igreja saber o que acontecia pelo mundo. Eram imensamente detalhistas. O relato desse jesuíta deve ter sido o primeiro em que as agulhas foram inseridas e lá permaneceram por algum tempo - não foram usadas apenas para perfurar e retirar sangue. Prática que não foi mais registrada em qualquer outro lugar e só foi comentada novamente após a segunda Grande Guerra, quando começou a acupuntura como conhecemos.

 


 

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