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Histórico e contexto do nosso grupo de estudos


Há pouco mais de quatro décadas, quando iniciamos as primeiras turmas, buscávamos o desenvolvimento de alguns dos dons atribuídos à inteligência como memória, concentração, lógicas, autocontrole, aprendizado e percepção.

Os participantes tinham variados objetivos: o combate à ansiedade, algum concurso público, alívio da dor utilizando o pensamento, controle do estresse, passar no vestibular, exploração dos poderes da mente, alcançar o sucesso em determinada empreitada, enfim, o autodesenvolvimento.

À época, o desenvolvimento das inteligências ou de seus sinais satisfazia os objetivos. Hoje em dia, não mais.

Nova relação com as inteligências

De lá para cá muita coisa mudou. As inteligências deixaram de ser tão desejáveis e buscadas, outros dons lhes foram equiparados e até mais valorizados. Hoje em dia, quando comento o assunto desenvolvimento das inteligências, mais parece uma acusação de burrice aos ouvintes que, de fato, uma proposta de autodesenvolvimento. Mesmo no ambiente escolar, parece que esse tema não passa de um esforço irresponsável em identificar e aumentar as desigualdades entre os alunos, é tratado com muitos poréns. Comentar esse assunto atrai, no mínimo, correções: os antigos achavam que o raciocínio lógico era inteligência, hoje sabemos que há vários tipos; impor aprendizado é oprimir as verdadeiras aptidões de uma pessoa; a inteligência vem de dentro, qualquer esforço em priorizá-la é autoritarismo e desrespeito às individualidades e outras adversativas. E o interesse efetivo no desenvolvimento das inteligências não se pronuncia facilmente, só em raros ambientes e em pouquíssimas pessoas.

Contexto cultural

Os saberes e comportamentos em relação às inteligências não foram os únicos que mudaram. As mudanças culturais trouxeram um povo mais técnico, mais conectado, mais polarizado, mais crítico, com maior autoestima e altamente enganado, deprimido, arrogante, meritoso, inocente útil, muito bem autoavaliado e incapaz de se reconhecer o ator que é nos processos de empobrecimento, emburrecimento e adoecimento psicológico que percebe à sua volta e pensa não estar envolvido. 

Não observamos apenas a ofuscação da inteligência com glamorização da burrice, há outros sintomas em destaque como o empobrecimento geral, o adoecimento psicológico e outros sinais. Acredito que não podemos mais estudar um deles (no caso, as inteligências) ignorando os demais.

Parece bem claro

Há relação direta entre os nossos saberes (nossa sabedoria pessoal), os saberes populares, interesses políticos e econômicos globais, o que sentimos e o que fazemos. Mas só percebemos esta relação nas outras pessoas.  

Por isto algumas questões se colocam:

1.   O que é, quais os objetivos, como funciona e como a Cultura defende os interesses do Sistema.

2.   A importância dos conceitos.

3.   Como os saberes são formados.

 

Culturas tradicionais versus globalização.