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Idiotia útil 02

É importante identificar notícias Fakes


Considerando notícias e máximas divulgadas pela mídia, muitos de nós acreditamos que devemos avaliar a veracidade de cada uma delas antes de nos posicionar. Isto é desejado pelo sistema, largamente divulgado e naturalizado por muitos. Se você prioriza saber se a matéria é fake ou não, você provavelmente está na posição do idiota útil.

Primeiro porque é público e notório que notícias podem e são manipuladas. E não temos como conferir muitas das notícias que nos chegam. Se há pessoas que enganam até detetives policiais, quem negará que especialistas selecionam e apresentam notícias com a finalidade de induzir a população em geral a crenças do interesse do sistema? Milhões de notícias ao dia. Entender por que justamente aquelas foram selecionadas e apresentadas naquele formato é muito mais importante do que a veracidade delas.

Segundo porque validamos e negamos as notícias conforme nosso interesse e não percebemos. Mesmo que tenhamos como conferir a informação, temos tendência de concordar com as notícias que são afins com as nossas crenças e negar as que são contra. Se confirmamos que estávamos errados e a informação nega nossos interesses, simplesmente a desvalorizamos. Se algum político ou partido lhe agrada, você tem tendência em concordar com as boas notícias referentes a ele e desconfiar das que são ruins. Se confirmada uma ruim, simplesmente tende a desvalorizá-la como qualquer religioso despreza as críticas que sua religião porventura possa receber.

Terceiro, porque poucas pessoas neste país sabem identificar uma falácia. As mídias se utilizam de várias delas e, tenho certeza, a muitos engana. Há cinquenta anos o reconhecimento de falácias fazia parte do ensino médio. Pelo menos nas escolas públicas do estado do Rio, frequentei uma delas. Hoje em dia, nem nas universidades encontramos este ensino.

Por isto que, se alguém se importa em buscar a veracidade da notícia para a partir dela tomar suas decisões, são grandes as possibilidades de estar no papel de idiota útil.

Qual o interesse por trás dessa notícia?

Antes de perguntar se a notícia é fake ou não, pergunte por que esta notícia está aí? A quem interessa? 

Vamos a um exemplo. Durante todo um mandato de prefeito, por quatro anos assisti quase que diariamente notícias em certo canal de TV mostrando o caos em que a Saúde do município se encontrava. Um dia a falta de pagamento a funcionários, no outro a falta de médicos, a seguir um vigilante que se indispôs com o acompanhante de paciente e, dia a dia, o nome do dito cujo associado o problema. Não me preocupei em saber se eram verdadeiras ou não as notícias, geralmente são. 

Eventualmente o tema não era da Saúde. Segurança, alterações no trânsito, falhas no pagamento ou no contrato de serviços de coleta de resíduos, palavras mal empregadas, falcatruas orquestradas pelo político e várias outras coisas ruins eram diariamente listadas e associadas ao político.

Sou da Saúde e perguntei a colegas funcionários municipais se estava assim tão ruim. Sim, ruim sim, mas não pior do que antes dele assumir. Alguns até relacionaram algumas benfeitorias, estas jamais divulgadas naquele meio de comunicação.

E assim que foi substituído após quatro anos de mandato, nunca mais vi matéria alguma no jornal da hora do almoço naquela emissora demostrando falhas e as associando ao novo prefeito. Não acredito que o novo prefeito tenha resolvido todas as mazelas já no primeiro dia de mandato. Até porque, em tempos de covid, nem todas as notícias são boas. Vi algumas matérias sobre alguns problemas do município, mas em nenhuma delas o nome do novo prefeito foi sequer comentado. Penso que as matérias não eram mentirosas.

Nada contra o hábito de associar o nome do prefeito aos problemas municipais, mas ao fato de isto depender da simpatia entre o canal e o político é fato mais importante do que a real fatualidade na tomada de decisões a partir da notícia.

Em várias outras ocasiões encontramos abordagens diferentes para o mesmo fato. Repórteres de empresas diferentes apresentam o mesmo caso com abordagens bem diferentes. Penso que aqueles que buscam saber da veracidade para tomar suas conclusões se arriscam soberbamente à posição do idiota útil. É exatamente o que querem: população dividida. Como cada um de nós tem tendências de concordar com as notícias em acordo com nossas crenças, independente de alguma das equipes ter forçado a informação ou mesmo alterado algum dado, termos os ouvintes num embate sem fim. 

Ora, muito mais importante que saber se a notícia é fake ou não, é saber por que, entre milhares de notícias geradas por hora, justamente aquela foi escolhida para ser apresentada daquela forma e naquele informativo.

Investigar se é Fake News? Só depois de capturar quais os reais interesses na divulgação dela.

 

Avaliações do interesse do grupo de estudos

Avaliação 01- Este pensamento – devemos identificar as notícias fakes – é fato, fake, falácia ou algo mais?

Avaliação 02- É uma notícia nebulosa (Foggy news)?

·        Avaliação 02a. Emburrece ou desvia o foco?

·        Avaliação 02b. Empobrece social ou financeiramente pessoas ou grupos?

·        Avaliação 02c. Aumenta a agressividade intergrupos?

·        Avaliação 02d. Aumenta o adoecimento psicológico (casos de depressão, ansiedade, Burnout, TDAH e outros).

Avaliação 03- Idiotia útil?

 

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