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Reflexões para a Saúde

Sindromização – uma crítica à Medicina

 


 

Como venho regularmente afirmando, acredito que uma crítica muito boa à medicina atual seja a de sindromizar sintomas.

Sintomas referem-se a alterações e distúrbios no organismo. Como a febre, a diarréia, a taquicardia, a queimação no punho e a dor de cabeça.

Viroses, infecção dos rins, febre amarela, dengue, queimaduras (inclusive pelo sol) e muitas outras patologias provocam febre. Desidratação, infecção do sangue, dificuldades respiratórias, esgotamento físico podem provocar taquicardia. Diabetes, compressão cervical, dificuldades digestivas, anemia e muitos outros males podem provocar dores de cabeça. É isto que caracteriza um sintoma: um sinal que pode se apresentar em várias patologias. Assim os sintomas não são patologias apesar de estarem em várias delas.

Ora, percebemos que vários sintomas estão sendo patologizados.

Não tenho dúvidas quanto a existência da síndrome de Down, de Kanavam ou a de Guillain Parret, mas algumas síndromes são facilmente questionáveis à luz da ciência, como o TOC, o túnel do carpo, a síndrome de Quervain, a fibromialgia (FM), a do intestino irritável, a do sono irregular, a da fadiga crônica e a SDM.

Já comentei em outros textos sobre a fobia e o túnel do carpo. Aqui vamos falar sobre a SDM e a FM.

SDM – Síndrome Dolorosa Miofascial

Em acordo com a obra Manual dos Pontos Gatilhos, a diagnose se dá pela sensibilização dos pontos gatilho (Trigger points), pequenas áreas tensas e doloridas, quase sempre sobre músculos. A dor aumenta quando a região é pressionada. Pode se originar em um único músculo ou pode envolver vários. Existem protocolos para diferenciar SDM de fibromialgia (tender points) e da mialgia de fadiga.

Na mesma obra, relaciona-se uma série de possibilidades deste mal: traumas (macro e micro traumas), infecção ou inflamação devido a uma patologia de base, alterações biomecânicas apendiculares (discrepância de membros, aumento acentuado dos seios) e axiais posturais, distensões crônicas, esfriamento de músculos fatigados, miosite aguda e isquemia visceral (ZOHN, 1988). Outras causas incluem: lesões localizadas de músculos, ligamentos, cápsulas articulares, doenças viscerais, desequilíbrios endócrinos, exposição prolongada ao frio, deficiência de vitaminas C, complexo B, estrógeno, K+ e Ca+, anemia, baixa taxa metabólica, hipotireoidismo, creatinúria, stress emocional, tensão ou fadiga, inflamação e deficiência muscular (MANNHEIMER E LAMPE, 1984; FISHER, 1986).

Ué... eu pensava que miosite, isquemias, traumas, deficiência de vitaminas e músculos fatigados fossem patologias ou quadros patológicos e que a dor fosse um sintoma comum a estas patologias. Tem alguém sendo feito de bobo nesta história...

Parece-me que sindromizaram a dor. Ah, sim: mas apenas quando está localizada sobre um ponto miofascial...

Próximas síndromes

Posso antever as próximas síndromes:

Síndrome Térmica. Esta síndrome caracteriza-se por estado alterado de consciência com redução do raciocínio, dificuldades para o sono, aumento da temperatura corpórea e a sensação de mal-estar; regularmente ocorrem transpiração excessiva, diarréia e, em quadros mais acentuados, convulsões. O tratamento é feito com antitérmicos. Os mais antigos a chamavam de febre e pensavam que era apenas um sintoma.

Síndrome Fluídica. Esta síndrome caracteriza-se por perda do tônus muscular, taquicardia, sonolência, desidratação da pele, diarréia e cansaço. Reage bem com soro hidratante, recompositores de flora intestinal, alimentos a base de amido; evitam-se gorduras, temperos, sal e açúcares. Eventualmente há a necessidade de antibióticos. Se um desses sintomas ocorrer, procure um médico na especialidade Fluídica.

Ou seja, diarreia também passará a ser uma síndrome, já que reage a certos protocolos.

Apoio científico

Cientificamente seriam, então, febre e diarréia, síndromes? Não, certamente não, por que são sintomas: ocorrem em várias patologias. Também isto não é ciência. Apesar de ser produto da observação, faltam investigar os motivos, as relações com outras patologias e outras coisas que caracterizam a ciência. Tampouco é uma boa piada porque dificilmente provoca risos. No máximo, um sorriso sarcástico ou irônico. Mas é o que está ocorrendo na Saúde!

Sintomas já sindromizados

Fibromialgia, torcicolo, SII, depressão, fadiga e muitos, muitos outros.

No caso da fibromialgia, Chaitow1 na obra Fibromialgia oferece nove hipóteses: cronobiológica, genética, integrada, disfunção imunológica, cociptiva, neurossimpática, de retenção, de hormônio de estresse (deficiência de cortisol) e de disfunção do hormônio tireoidiano. De acordo com esse autor, existem pelo menos nove caminhos que nos levam à Fibromialgia. Então por que considerar que são todos a mesma patologia?

E é assim com muitas patologias.

Facilidades e usos

A sindromização facilita o tratamento farmacológico. Como antitérmicos na síndrome Térmica: está com febre? Tome antitérmicos! Mas isto não justifica que seja feito a torto e a direita e com a aceitação de praticamente todos, sejam ou não da área da Saúde. Isto parece abuso da fé e da confiança que temos na classe médica.

Crítica direcionada

Não pretendo de forma alguma depreciar ou retirar um ponto qualquer na importância da Medicina para a saúde humana. Tampouco desprezar a dedicação de tantos médicos, alguns amigos meus. Leitores dos meus textos sobre protocolos alternativos estão acostumados com a orientação final em que discordo da orientação em caso de persistirem os sintomas, procure um médico. Sempre completo que as terapias alternativas podem e costumam aliviar sintomas e, dessa forma, podemos estar mascarando um mal. Assim sempre oriento que todo tratamento alternativo seja acompanhado por um médico, único qualificado e preparado para diagnosticar o mal.

Minhas críticas ao sistema de Saúde e práticas médicas são bem direcionadas:

1) A sindromização facilita e aumenta os serviços médicos e fisioterapêuticos enquanto prejudicam o paciente;

2) A falta de informação das Alternativas aumenta o consumo de fármacos, já que a Fisiologia mostra que recursos alternativos poderiam substituir muitos dos fármacos, ou pelo menos reduzir-lhes o consumo.

3) A naturalização ou genetização de certas patologias reduz substancialmente a importância da Psicologia para a saúde e a Saúde, assunto que discorri em outros de meus textos.

Assim peço que os leitores se restrinjam a reconhecer minhas críticas ao sistema e jamais aos médicos em si, pois sei de seus esforços e dedicação. Assim espero que todos compreendam que a finalidade é a saúde como um todo, jamais a crítica em si.

 Bibliografia

Simons, David G., Travell, Janet G. & Limour, Loin S. Dor e disfunção miofascial. Manual dos pontos gatilho. Vol I- Parte superior. 2. ed. São Paulo: Artmed, 2008.

Simons, David G., Travell, Janet G. & Limour, Loin S. Dor e disfunção miofascial. Manual dos pontos gatilho. Vol 2- membros inferiores. 1. ed. São Paulo: Artmed, 2005.

1 Chaitow, Leon. Síndrome da fibromialgia- um guia para o tratamento. Manole: São Paulo, 2002.

 

 

 


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