Início

Cursos

Textos

DVDs

Obras

Produtos

YouTube

Como chegar

Quem somos

Contato

 

Reflexões para a Saúde

Fibromialgia 4- Sobre os tipos de Fibromialgia

 


 

Uma dos argumentos para mostrar que sob o título da Fibromialgia escondem-se várias patologias e quadros clínicos, é que características antagônicas são encontradas em pessoas diagnosticadas com FM.

Identificar estas características definirá o tratamento que proporei. Como tem sido grande o meu sucesso e o de minha equipe, acredito que estas observações devam ser divulgadas, daí os textos sobre FM.

Neste capítulo abordarei as principais avaliações que faço para definir os protocolos que utilizo. Não são as únicas, algumas outras podem e devem ser feitas, mas não são tão regulares: dependerão de outras queixas além da FM.

Tipo assim: há fibromiálgicos que relatam melhora com o calor, outros, piora. Há fibromiálgicos que tem suas dores aumentadas com o movimento, outros, as dores são contínuas e não aumentam com o movimento. Há fibromiálgicos que se sentem melhores com massagens mais pesadas, outros, pioram bastante com o mesmo recurso. E assim por diante. Ora, são tão antagônicas as reações e sintomas na fibromialgia que estas observações se tornam necessárias e definitivas na seleção dos recursos a utilizar e no sucesso da terapia. Vejamos as principais.

Relação movimento e aumento da dor

A primeira avaliação que costumo fazer em casos de FM é quanto aos cuidados nos movimentos, aproveitando a entrada e o sentar-se. Alguns se movimentam com delicadeza, levemente, em  marcha lenta e sentam-se com o auxílio das mãos para evitar pressão no tecido. Outros, nem tanto.

Parte das pessoas diagnosticadas fibromiálgicas possuem os movimentos normais, alguns até com certa velocidade ou brutalidade. O ato de sentarem-se não aumenta substancialmente a dor, então se movimentam normalmente. Por outro lado há casos de FM em que os movimentos são poupados. Sempre feitos com atenção e cuidado, sempre que possível com algum apoio dos braços ou das mãos e sempre em lenta velocidade, especialmente ao sentar-se. Nestes casos as dores aumentam com o movimento e com a pressão generalizada da pele, daí os cuidados.

Foi o caso de A., 38 anos. Secretária, ao adentrar o consultório sentou-se com certa rapidez e descompostura e foi logo afirmando: o médico disse que eu tenho fibromialgia porque sou muito estressada com o meu filho. Mãe solteira de um pré-vestibulando, relatou rapidamente suas dificuldades na relação e com a educação do filho. Nada de anormal na sua relação com o filho, mas não é comum o fibromiálgico se movimentar com brutalidade.

Via de regra, o fibromiálgico é lento ao sentar-se.

Dores maiores ou menores ao entardecer

Queixa comum em vários quadros e em quase todas as FM, as dores ao acordar são maiores do que depois de certo tempo. Mas algumas pioram durante o dia. A preocupação e a definição das atividades físicas dependerão da resposta a esta questão: as dores são mais fortes na parte da manhã ou na parte da tarde?

Efeito positivo ou negativo com exercícios

A obra PROJETO DIRETRIZES confirma os bons resultados colhidos pelos exercícios e explica que eles ajudam na produção de dopamina, o que tem efeito antálgico. É vero, mas nem sempre.

Algo que muita gente se surpreende é que nem sempre os exercícios colhem bons resultados com os fibromiálgicos. Há aqueles que os exercícios eliciam aumento das dores e afastamento das terapias, inclusive da Fisioterapia. Quando um paciente se afasta da terapia, o terapeuta o acusa de falta de persistência, de fé ou de obediência. Acho que nem sempre, acredito que a terapia possa ser o motivo.

Para refletir. Supondo que os recursos utilizados tenham a capacidade de piorar as dores do cliente. Na minha prática, é mais fácil o terapeuta insistir nas suas teorias que considerar o seu fracasso, o que acaba por fazer o paciente se afastar da terapia e ainda por cima culpar o cliente pelo fracasso. 

Efeito positivo ou negativo da terceira drenagem

Sei que a grande maioria dos fibromiálgicos reage bem à massoterapia de média pressão, lenta, onde predominam os apalpamentos, flexionamentos musculares e circunduções. Mas não são todos. Há um tipo de FM que reage mal a esse protocolo, com agravamento das dores.

Fibromialgia irradiada para a pele

Outra avaliação que costumo fazer em casos de FM é quanto à sensibilidade da pele. Entre os casos de FM, alguns parecem acompanhados por algum tipo de intoxicação tissular. E nestes casos é muito fácil fazer o diagnóstico diferencial.

Para diferenciar estes quadros, procure pinçar a pele do paciente com dois de seus dedos, o polegar e o indicador, em vários seguimentos: coxa, braço, rosto e abdome. A dor pode ser bem maior onde é a queixa, como próximo aos joelhos, mas não deve existir em todos estes seguimentos.

Ou seja, há casos em que o paciente tem dor na pele e, ao apertar-lhe os tender points, ele certamente sente muita dor. E aí lhe atribuem a fibromialgia sem perceber que a sua dor pode ser apenas na pele – o que deixa todo o corpo dolorido também.

Posso antecipar que, em algumas ocasiões, recomendo ao paciente a redução no consumo de leite e derivados e este protocolo é suficiente para curar este tipo de fibromialgia (lembre-se: o diagnóstico vem pronto). Ou seja, estava mais para uma intoxicação por Ca que efetivamente fibromialgia. Há ainda outros produtos que, quando retirados da alimentação, tendem a “curar” fibromialgias.

Fibromialgia e Tireóide

Alguns dos fibromiálgicos que têm a pele muito dolorida relatam ainda problemas com a tireóide ou com seus hormônios. Sei que muitos trabalhos de pesquisa com a FM já associaram as dores generalizadas ao hipotireoidismo. Na clínica, isto se confirma: alguns fibromiálgicos sofrem desse problema.

Aproveitando, relembro que Chaitow1 na obra Fibromialgia oferece nove hipóteses: cronobiológica, genética, integrada, disfunção imunológica, cociptiva, neurossimpática, de retenção, de hormônio de estresse (deficiência de cortisol) e de disfunção do hormônio tireoidiano. De acordo com esse autor, existem pelo menos nove caminhos que nos levam à Fibromialgia.

 Fibromialgia do calor e do frio

Outro importante sintoma que avalio na FM é se as dores aumentam ou diminuem com o calor e o frio.

Esta questão apareceu em um dos grupos de terceira idade em certo hospital federal em que participei por anos do grupo de qualidade de vida para pessoas na terceira idade. O grupo incorporava pessoas com qualquer problema delicado. Como a síndrome de Guillian Parret, sequelas de AVC e AVE e FM.

Nenhuma das duas senhoras estava ainda na terceira idade, mas trouxeram o problema: ambas estavam diagnosticadas com FM, mas a mais nova, 33 anos, tinha suas dores aliviadas pelo infravermelho enquanto que a outra evitava banhos quentes e tinha suas dores ampliadas com o mesmo recurso.

Lembro-me que fui pego de surpresa, não me lembro bem da resposta que dei à época, apenas que utilizei a teoria sobre a hipertensão quente e fria da MTC.

De lá para cá tenho buscado alguma fundamentação para isto, mas nada realmente comprovado.

Por exemplo: sabemos que patologias ósseas e reumáticas não reagem bem ao calor. Doença de Paget, por exemplo. Artrite reumatóide e espondilite anquilosante, idem. Posso especular que o aumento metabólico na pele ou no músculo não aumenta a retirada dos estressores profundos, pelo contrário, aumenta ou a sua produção ou a sua retenção, o que explicaria o aumento da dor.

Outra possibilidade é que o aumento do metabolismo aumenta a produção da substância P, o hormônio da dor.

De qualquer maneira, é muito importante esta avaliação na seleção das terapias que serão utilizadas.

Fibromialgia x Alongamento

 Em quase todos os casos de FM, a terceira drenagem é priorizada entre os protocolos, seguida das maxmobilizações manuais, que visam aliviar tensões e contraturas. Isto fez aparecer que alguns fibromiálgicos pioram com algum alongamento. Nestes casos, até as manobras de drenagem profunda mais fortes costumam deixar a pessoa dolorida por dias, sem resíduo positivo ao ter suas dores de volta ao habitual.

Considero uma das FM de mais difícil de tratamento. Não abandonam o atendimento, por isto especulo que haja efetivo alívio nas dores. Mas também raramente pedem alta e, quando se afastam, constantemente foi antes de terem o alívio das dores. E costumam retornar. 

Coluna Fibromiálgica

Sei que o PROJETO DIRETRIZES fala na possibilidade da FM iniciar no dorso, na região do pescoço.

Relatos assim, associando o pescoço ou o ombro ao início do que depois se tornaria uma dor generalizada, a FM, são bem regulares. Na minha prática, mais casos tiveram origem no ombro que na cervical e outros começaram pela lombar. A maioria passa ao outro lado antes de migrar aos membros inferiores, mas em alguns casos tomam todo um lado antes de passar ao outro.

A primeira preocupação é diferenciar problemas da coluna com a FM. E não é fácil não. Talvez nem seja possível em boa parte dos clientes. Estes fibromiálgicos têm dores generalizadas como todo fibromiálgico, mas somam vários problemas de coluna. Até onde as dores são originadas nos problemas de coluna e a partir de que intensidade vieram das fibras musculares? Certamente nada fácil de distinguir. Como delimitar os limites de uma e de outra dor, e ainda da miosite?

Nesses casos costuma ser muito fácil perceber várias patologias artro-musculares em conjunto: retificação de cervical, hérnias discais, estenoses de canal, problemas na articulação dos joelhos, bursites trocanterianas e regularmente entorse de tornozelo e fascite plantar. Ora, a imobilidade da coluna certamente afeta a circulação de linfa extra-profunda, daí a dificuldade em definir bem que problema, efetivamente, deve ser combatido primeiro.

Há um quadro especial: os dedos em garra. A contratura generalizada das cadeias musculares posteriores possui um quadro fácil de identificar: ombro que não segura bolsa e dedos dos pés ficam em garra.

Outro detalhe interessante: é bem mais comum com retificação de lombar do que com lordoses.

Uma coisa é certa: os protocolos que visam aliviar os sintomas das dores de coluna não são suficientes. Mas reagem muito bem à terceira drenagem, como praticamente todos os fibromiálgicos.

Fibromialgia, depressão ou fadiga crônica?

fibromiálgicos que, apesar das dores, suas queixas maiores se acentuam na falta de memória, no esgotamento físico e no desânimo. Um tanto depressivos. Novamente me vi com o dilema: o que distingue este caso de uma fibromialgia de fadiga? Ou da síndrome da fadiga crônica? Ou da depressão? Há um texto em que expresso melhor essa relação: Fadiga Crônica e a relação com a Fibromialgia.

Mais uma vez faço valer a especulação por falta de opção. Fico a considerar o quanto o sono regular pode ter ação na nutrição e no relaxamento muscular. Sem um bom sono reparador por anos, penso em como isto poderia prejudicar os músculos e a circulação extra-profunda. Podemos esperar certa fibratização do tecido com prejuízo da circulação junto a tendões.

Mais detalhes a investigar

Ainda há outros tópicos a avaliar: influência da alimentação, AVDs, posição de trabalho e de dormir, forma e atividade física, qualidade do sangue, filosofia, relações pessoais, tiques e manias, enfim muita coisa pode manter um quadro de dor por muito tempo. Todos estes tópicos muito relevantes no sucesso da terapêutica.

Conclusão

Espero ter alcançado a minha intenção: mostrar que muita coisa pode estar por trás de dores generalizadas sem inflamação e que protocolos diferentes podem alcançar muito mais eficácia que englobar todos os casos sob um único título: fibromialgia. Aguardo suas questões!

 

Continua no texto Síndrome da Fadiga Crônica e a relação com a Fibromialgia.

Para voltar à relação de textos Reflexões para a Saúde.

 


Texto Como encontrar ou assunto do seu interesse - texto, curso, doação, passeio etc.

Site do IBTED. Sobre cursos, textos, vídeos, produtos e outras informações.

Contato: contato.ibted@gmail.com.

Para receber textos sobre terapias alternativas: curta IBTED Terapias

 no facebook (facebook/ibted).

Para receber textos sobre Fisiologia curta Roberto Haddad no facebook (facebook/robertohaddad.ibted).

Peça para ser amigo de Roberto Haddad no facebook (facebook/carlosroberto.serraohaddad).

IBTED Cursos, Produtos, Editora e Terapias

Contato: (21) 4126-5770 (TIM fixo) - (21) 99187-3020 (OI + Whatsapp) - 98250-0538 (TIM)

contato.ibted@gmail.com  -  facebook/ibted   -  facebook/robertohaddad.ibted