Terapia Alternativa
Como Funciona o Shiatsu

Por Carlos Roberto Serrão Haddad
Retirado da obra Como as Medicinas Naturais Funcionam

Shiatsu – o que é?

Inúmeras técnicas terapêuticas se apresentam sob esse título, o que vem causando certa confusão. Poucas coisas têm em comum:

  1. Concordam que SHI quer dizer dedo e ATSU, pressão;
  2. Defendem que SHIATSU é uma técnica terapêutica de manipulação do corpo, com as mãos e dedos;
  3. Possuem meridianos;
  4. Todas se importam com a questão da diagnose.

E só.

Há linhas de shiatsu que só utilizam o toque shigueki-gakun; outras, apenas deslizamento e alongamento; algumas utilizam massagens com os pés e há aquelas que incluem massoterapia. Nem os meridianos chineses são comuns em todas as linhas: algumas seguem o da acupuntura e muitos preferem seguir os espaços inter-ossos ou músculos.

Mesmo as teorias de base dessas terapêuticas, em especial a teoria de Cinco Elementos, poderão ter abordagens e desenvolvimento tão diferentes que parecerão teorias diferentes.

Há quem diga que é uma técnica chinesa há 5000 anos e quem afirme que apareceu no Japão no início do século XX.

Vejamos como funciona os shiatsus mais comuns: os que utilizam toques profundos.

Como funciona

Existem mais de uma forma de se explicar como o shiatsu funciona.

Os povos antigos acreditavam na existência de miasmas (Energia Negativa). Até o desenvolvimento do microscópio, na primeira década do século XX, eles não conheciam um vírus nem os hormônios, mas tinham suas dores e doenças. E desenvolveram várias teorias para explicar essa relação. Quando o shiatsu foi desenvolvido e também promovia reações de cura, as mesmas teorias foram utilizadas para explicar esse sucesso. Seja uma cólica menstrual, uma ciática, uma dor nos joelhos ou simplesmente uma dor de cabeça.

A medicina ocidental, desde o século XIX, vem se voltando à farmacologia e outros conhecimentos médicos para definir seu modo de agir, abandonando a sangria e as teorias daquela época. Hoje em dia, a explicação é bem diferente.

A Fisiologia explica que, durante uma seção de shiatsu, estimulamos terminais nervosos nociceptores (neurônio da dor), promovendo uma série de reações autônomas. Quando um organismo se sente ameaçado (a dor é uma ameaça), seu sistema nervoso autônomo responde.

Este sistema nervoso se divide em dois: o simpático e o parassimpático. O simpático só fica em ação enquanto houver a sensação de ameaça, o que não é o caso em uma seção de terapia. O parassimpático, então, responde pelas reações do shiatsu.

Na fase inicial, cerca de três a cinco minutos, enquanto as reações simpáticas estão dominantes, registra-se aumento substancial de dois neurotransmissores: dopamina e endorfina, que afetam a sensação de dor. Um a nível terminal (no local da dor) e outro deprimindo a sensibilidade dos núcleos de dor. Todas as pesquisas com shiatsu e DO-IN mostram aumento substancial desses neurotransmissores. Num segundo momento, geralmente após os 10 minutos iniciais, predominam as reações parassimpáticas, cuja principal característica em situações de agressão é equilibrar as reações simpáticas.

Façam a experiência, como tenho feito em inúmeras salas de aulas: identificamos um ponto de dor em um modelo (pessoa que aceitou participar da experiência); os pontos gatilhos são perfeitos para isso; selecionamos uma área do corpo, distante do ponto selecionado, para pressionar; a pressão não deve provocar contratura muscular; o modelo pode e deve sentir bem o toque, mas não a ponto de se contrair; o ritmo de um toque a cada quatro segundos parece bom; qualquer trajeto serve: subindo, descendo ou para as laterais. Após cinco minutos, a dor, se persistir, será substancialmente menor. Mais abaixo neste texto, tornarei a descrever como se faz shiatsu em certo trecho de meridiano.

Vejamos outras reações fisiológicas. O nociceptor, estimulado, promove a produção de um irritante, o neurotransmissor P, que aumenta o metabolismo, provocando maior circulação de sangue e linfa no local.

Outra reação: o toque na pele promove reações reflexas nas vísceras (passando pelo hipotálamo), beneficiando até as funções viscerais! A Fisiologia ainda enumerará outras reações metabólicas e antiálgicas promovidas pelo toque, mas as que já foram enunciadas bastam a este texto introdutório.

Shiatsu na compensação muscular

Destaquemos outro mecanismo do shiatsu, comum no tratamento das dores na coluna. Para que não fiquem dúvidas que, apesar de as reações primárias do shiatsu serem neurológicas, esta massagem alivia até ciática e outros problemas artromusculares.

A coluna é uma série de ossos com discos de cartilagem entre eles. Pelos forames (espaços nas cartilagens) passam neurônios, que se espalharão pelo corpo. A diminuição do espaço discal, seja por excesso de peso, postura, calcificação, hérnia de disco, musculatura excessivamente forte ou flácida ou acidente, comprime alguns nervos. A reação é conhecida: lombociatalgia, hérnia de disco, ciática ou isquiática. Para diminuir a dor o organismo compensa, contraindo músculos no intuito de aliviar os esforços no neurônio comprimido. E aqui mora um perigo: essa reação (a contratura muscular) consiste em encurtar e aproximar a musculatura paravertebral da coluna no intuito de essa musculatura absorver os esforços que seriam sofridos pelas vértebras. Essa musculatura, contraída, aumenta ainda mais a pressão entre as vértebras. O alívio na dor, resultado comum no shiatsu, facilita ao organismo reduzir a compensação, diminuindo a contratura muscular: não é à toa que o shiatsu tem grande efeito em ciática e outras dores musculares. A medicina utiliza relaxantes musculares e analgésicos com o mesmo intuito.

Onde se aplica?

O shiatsu, por acionar razoavelmente o sistema nervoso autônomo, em especial o parassimpático, se aplica melhor em quadros de estresse e no combate ao estresse.

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