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| Salada Energética | |||||||
Por Carlos Roberto Serrão Haddad –haddad.ibted@gmail.com Baseado na obra Analisando com Sabedoria Todo aquele que se aventura a falar de energia esbarrará nos conceitos. Quase sempre quando insinuo que discordo do conceito popular de energia, ouço a crítica então você não acredita que tudo é energia?, numa clara alusão à equação einsteniana e=mc2. Sim, teoricamente toda matéria pode ser totalmente convertida em energia e este valor é calculado por aquela equação. Mas não é dessa energia que falam na MTC. As medicinas antigas utilizavam as sangrias como prática de cura. Ao conferirem o benefício (que a doença havia saído juntamente com o sangue), como não conseguiam perceber diferenças entre o sangue bom e o ruim, concluíram que a doença era uma ‘energia’ que ficava no sangue. Atualmente sabemos que a sangria promove aumento metabólico: o corpo aumenta sua atividade para recuperar o sangue perdido, produzindo as séries branca e vermelha, anticorpos, hormônios e todos os componentes sanguíneos, com alívio de muitos sintomas (colites, prisão de ventre, diarréia, gripes e muitas doenças). Mas como os antigos não dispunham de microscópios, só desenvolvidos na primeira década do século XX, acreditavam que as doenças eram promovidas pela energia negativa. Até o século XIX, promover a cura era retirar essa energiassangue, daí as dificuldades com a lepra e a tuberculose, que não se curam com sangrias. Como os pontos de sangria eram escolhidos de forma e evitar o corte de artérias, tendões, linfângios e vísceras, os pontos originais não são sobre as artérias e, como circulam com o sangue, fácil concluir que devem ter seus canais. Como já sabemos, foi o dr George Soulier de Morrant que definiu os meridianos utilizando a teoria chinesa dos cinco elementos e os quase cento e cinquenta pontos chineses que havia no princípio do século XX. Este médico incluiu cerca de duzentos pontos para que alcançasse a marca de trezentos e sessenta e cinco pontos, um para dia do ano, e é responsável também pela numeração deles. Existe a energia psíquica freudiana, ligada a valor: conforme a percepção que temos de um objeto, o valor que lhe damos, estamos investindo mais energia nele: seja tempo, dinheiro, amor etc. O sistematizador da psicanálise, ao reparar que não existem comportamentos instintivos1 no ser humano, percebeu que a força gerada pelas necessidades (fome, sede, instinto sexual etc.) são canalizadas a comportamentos influenciados pela cultura e que variam conforme esta. Ao valor (quantidade de energia), chamou de energia. O senso comum, copiando a termodinâmica, associa o termo energia à quantidade de calor. Quanto mais quente (maior a temperatura), mais cheio de energia. Esse senso transporta este conceito a algumas atividades humanas: quanto mais ativo, mais bem disposto, mais potencialmente capaz, mais cheio dela. Neste caso, existe coerência com a Física, já que considera a energia potencial, a energia do movimento e a energia investida no trabalho. Mas coerência não quer dizer que é a mesma energia e que uma pode ser convertida na outra, a exemplo da energia da Física. Existe, em destaque e provocando confusão, a energia que sentimos. As pessoas, os objetos e os lugares podem nos provocar sensações agradáveis ou não. Toda sensação é sentida por um grupo de neurônios. Quando ela é agradável, os neurônios acionados possuem núcleo ou fazem sinapse (contato) com neurônios cujos núcleos ficam na área do cérebro chamada de núcleos de prazer (mesencéfalo), mesma região afetada pela propriocepção, em destaque a sensação de calor agradável (as sensações de queimação e dor afetam outra área). Quando a sensação é desagradável, acionam-se os neurônios de alerta e o sistema simpático, responsável pela sensação indesejada. A confusão se dá porque pensamos que as sensações agradável (ou positiva) e desagradável (ou negativa) fazem parte daquela pessoa, objeto ou local que eliciou a sensação. Tenho o hábito de, para demonstra meu intento, perguntar o que um católico que entra em uma igreja do século XVII sente ao deparar com um altar todo revestido de ouro, ao ouvir que aquele lugar acumula 400 anos de oração. Passei por isto e vi um grupo de religiosos se emocionarem às lágrimas. Caso estivesse com evangélicos, que associavam as imagens ao Inimigo, tenho certeza que sentiriam emoção bem diferente, como medo ou agressividade. Um amigo, negro e envolvido com a luta pela valorização da raça negra, pensaria no trabalho escravo e sentiria tristeza, não prazer, como o primeiro grupo, medo ou agressividade, como o segundo. Mesmo assim, todos sentem que é o ambiente que lhes transmite a energia. Mas o incoerente é quando invocam a Física Quântica. Suas observações e conclusões são utilizadas para confirmar praticamente todas as teorias espiritualistas e algumas religiosas como se estas áreas fossem associadas. A Quântica refere-se a observação de partículas infinitesimais, algo na faixa de 10-26 m. Qualquer físico ou pessoa com um mínimo de conhecimento na área sabe que essas leis não se aplicam a baixa velocidade e a tempos longos (nosso caso real). Utilizar suas equações e conclusões para falar de emoções e espiritualidade humanas deixa qualquer cientista da área aflito. Mas como são raros os que compreendem o campo e inúmeros os que se utilizam dele para divulgar suas crenças... não é à toa que tudo mundo entende de quântica. Misturar emoções, percepções e conhecimentos faz parte de sermos humanos. Ter muita dificuldade para perceber essa confusão, também. Mas se pudermos diferenciar estas coisas, menos confusões e discórdias teremos no nosso dia a dia. Acredito que conhecendo a coerência das filosofias energéticas com os fenômenos naturais e humanos, todas resultantes de muita observação e empirismo, poderemos perceber porque a confusão. Especialmente se colocarmos um pouco de história. Dúvidas se amontoam sobre as terapias alternativas. Nem tantas sobre sua eficácia, mas sobre a sua história e as suas explicações. Terapeutas aprendem, tornam-se professores e divulgam, sempre sem má fé, o que aprenderam. Eventualmente, descubro falhas históricas ou conceituais. Informações válidas, fantasias e experiências pessoais se misturam. Sabemos disto, mas não sabemos como discernir tudo direitinho. Esperamos, sinceramente, que o leitor não aceite tudo com facilidade. Sabemos que muitas informações estão incompletas. Constantemente passamos a concordar com informações que antes combatíamos assim como discordamos de dados que outrora divulgávamos como corretos. Tentamos levantar a questão: se continuarmos com as pesquisas e os estudos, conseguiremos aprimorar nossas técnicas com um único intuito: aumentar nossa eficiência e eficácia no combate a certos males. Com as questões já apresentadas, o leitor poderá compreender nossa proposta: pesquisar não apenas em livros de terapia, mas em pesquisas ou na história, o que deve ser verdadeiro, o que foi inserido no século XX e, em especial, o que pode ser utilizado para aumentar a eficácia da Saúde, alternativa ou não, no lido com as patologias e na melhoria da qualidade de vida. Mas nosso olhar crítico, eventualmente cruel, costuma ser confundido com loucura por profissionais que confiam piamente nas teorias energéticas: não entendem porque questionamos ao mesmo tempo em que defendemos as Alternativas. 1 Instintivos seriam os comportamentos comuns a todos da espécie e que são eliciados sem estímulo. |
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