Tratamento Complementar
Punhal nas Costas

por Carlos Roberto Serrão Haddad

Da obra Como as Medicinas Naturais Funcionam

Questão. Certa dor nas costas, como um punhal encravado entre a escápula e a coluna, foi associada à atrofia da musculatura anterior (músculos peitoral menor e maior); contudo o mesmo quadro é comum quando a mesma musculatura é desenvolvida. Por que?

Certa dor nas costas merece destaque: a de queimação em região entre a escápula e a coluna.

A maioria das terapias corporais costuma trabalhar a região dolorida, com alívio do sintoma. Mas tem dificuldades em debelar o mal: sua reincidência supera a de outras dores.

Regularmente encontramos nódulos doloridos. Os principais locais que ficam doloridos estão marcados com as letras A, B e C na figura abaixo, todos entre a escápula e a coluna, sobre os músculos rombóides e trapézio.

Entre os males que podem provocar esse sintoma – queimação nas costas – está a contratura dos músculos peitorais. Vejamos como.

A anatomia do músculo trapézio mostra que a artéria que irriga esse músculo localiza-se anterior a ele (1, na figura) e que ela, em seu percurso, passa pela espinha da escápula (2, na figura).

Caso haja rotação anterior do ombro, o que pode ocorrer em várias ocasiões, o fluxo sanguíneo pode ser prejudicado pela compressão contra esta espinha.

Os neurônios, quando não suficientemente abastecidos de glicose e oxigênio, liberam a substância P que tem a finalidade de aumentar o metabolismo local, aumentando o aporte sanguíneo; isto se dá porque a substância P é um ácido.

O excesso de ácidos no local provoca edema e a sensação de queimação, principais características do quadro.

Esta situação é mais facilmente encontrada em casos de seios avantajados, problemas respiratórios, musculação visando os músculos do tórax, cifose ou outros em que o músculo peitoral seja sobremaneira esforçado ou esteja reduzido.

Para conferir se a explicação acima procede, peça que a pessoa eleve o braço e segure o músculo peitoral em pinça (dedos anelar e polegar). Cuide para que um dos dedos se localize no ponto que fica ao lado da axila, entre a primeira e segunda costelas (ponto gatilho do músculo peitoral menor) e o outro sob a dobra axilar. Quanto maior a sensibilidade, maior a inflamação podemos inferir ao músculo, o que confirma essa abordagem e o tratamento descrito ainda neste texto.

Outra observação: são mais comuns do lado esquerdo. Certamente tem a ver com o coração. Podemos supor duas possibilidades:

  1. o pulmão é menor deste lado devido ao espaço do coração, o que influencia o movimento fólico e deve prejudicar mais os músculos peitorais desse lado, sobrecarregando-os e;
  2. algumas pessoas se arriscam a dizer que todos tendemos a proteger mais o lado do coração e, portanto, é onde se dá primeiro a rotação do ombro.

Protocolos

Comprovada a origem do problema, os protocolos devem incluir alongamento dos músculos peitorais e economia deles.

Certa grade da Técnica do Esparadrapo alivia imediatamente o sintoma e economiza o músculo por alguns dias, importante para que diminua a quantidade de ácido lático ou outro resíduo metabólico que promove a contratura do músculo.

Consiste em colocar algumas tirinhas (de três a cinco, largura aproximada de um centímetro) de esparadrapo da região subclavicular (logo acima do peito) até a base da escápula e ainda algumas da lateral do corpo à região da coluna, como na figura abaixo. Antes de aderir as tirinhas, cuide para que nem os braços nem o peito estejam projetados para a frente, como na foto.

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