| Terapia Alternativa | |||||||
| Os Mecanismos de Ação da Moxabustão | |||||||
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Por Carlos Roberto Serrão Haddad A moxabustão consiste na queima de pequena quantidade de erva seca, geralmente a artemísia (Artemísia Sinensis e Vulgaris), nos tsubôs (pontos de entrada e saída de energia utilizados pela acupuntura), com finalidade terapêutica. Existem pelo menos quatro técnicas distintas para a prática dessa arte: 1) Aquecendo alguma região com um bastão grande. Pode ser o dorso, o abdome, um ou mais pontos de acupuntura ou uma área dolorida. 2) Queimando pouca quantidade de erva, em formato cônico, sobre rodelas de gengibre com cinco furinhos ou sal, em pontos. Ou utilizando os cones já industrializados, que possuem a base adesiva para facilitar a aderência ao ponto. 3) usando um cigarro de Artemísia ou certo incenso grosso da erva sobre os pontos. 4) Queimando um incenso qualquer de massinha, não obrigatoriamente de artemísia, sobre os pontos da reflexologia auricular. Um quinto método, o de queimar pequenas bolinhas de artemísia sobre os pontos de acupuntura (cauterização), pode ser encontrado, mas não o recomendo nem gosto de relacioná-lo como técnica terapêutica, apesar de reconhecer que a cauterização possui seus mecanismos de cura. Como todas as terapias alternativas, podem ser utilizadas no intuito de canalizar energia ou em acordo com a Fisiologia. Vejamos apenas o segundo caso. Aquecendo com o bastão de 20 gr O bastão de 20 gr, vulgo charutão, aquece mais a pele que os outros protocolos: os cones, o incenso e o cigarro de artemísia. É deste que nos referimos nesses primeiros três tópicos. 1) O calor produzido promove vasodilatação, aumentando o metabolismo local. Isto facilita a retirada de resíduos metabólicos e toxinas, além de promover maior oxigenação das células. Por isto é eficaz em tendinites e em locais com excesso de ácido lático, resíduo metabólico de atividades físicas. 2) A queima da erva produz infravermelho num espectro que alcança boa profundidade. Além deste calor profundo, estes raios de luz invisíveis aos olhos humanos sintetizam a provitamina D em vitamina D, que é utilizada na fixação do cálcio e, consequentemente, na formação de ossos, músculos e ligamentos. Isto indica a moxabustão em pacientes com osteoporose, em programa de ganho de massa muscular, em reabilitação de fraturas e microfissuras ósseas e outros quadros onde a fixação de cálcio se faz necessária. Especialmente em casos em que o cliente está impossibilitado de se expor ao sol. Também amplia o uso da moxabustão a pacientes acamados, com dificuldade locomotora ou outro motivo que também os impeça de sair de casa e pegar sol. O aquecimento na região do dorso é a melhor quanto o objetivo é a síntese da vitamina D: quanto maior a área exposta, melhor para a síntese. O aquecimento do abdome promove melhor oxigenação visceral, com reconhecida eficácia em quadros de dificuldades gastrointestinais. 3) O aquecimento afeta as funções viscerais. A moxabustão sobre o abdome facilita o peristaltismo e concentra mais sangue na região, o que tem ação reguladora nas vísceras. A queima de cones de artemísia sobre o umbigo coberto de sal grosso também consegue esta reação. Aquecendo pontos no corpo 4) Reflexo cutâneo-visceral. A vasodilatação em regiões próximas das vísceras produz reações reflexas nelas. Durante o desenvolvimento embrionário, um mesmo neurônio de origem que gerou os neurônios de alguma víscera, regularmente também deu origem a neurônios que enervam músculos e regiões da pele, associando-os. Um problema estomacal pode afetar o músculo reto abdominal e a região de pele chamada boca do estômago. Um problema renal pode afetar o músculo quadrado lombar e a região de pele na lateral do corpo, nas redondezas da décima primeira costela. Estimular os neurônios da região afeta os impulsos na víscera reflexa, daí o nome do mecanismo: reflexo cutâneo-visceral. 5) Reflexo cutâneo-hipotálamo-visceral. Os estímulos proprioceptivos sobre a pele humana aumentam e regulam as funções hipotalâmicas. Como praticamente todas as vísceras e glândulas dependem de hormônios liberados pelo hipotálamo, as terapias pontuais promovem aumento das defesas imunológicas, regulação hormonal e visceral e a sensação de bem estar. 6) Reações parassimpáticas. Alguns protocolos, como a queima de incenso próximo da cabeça quando queimamos incenso na terapia auricular, por simular um quadro de ameaça ao organismo, promove reações do sistema nervoso autônomo, com grande efeito na redução da dor e no combate ao estresse. Outros mecanismos com reações normalmente não tão importantes podem ser identificados, mas fugiria ao caráter introdutório deste texto. |
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