Terapia Alternativa
Moxabustão

Por Carlos Roberto Serrão Haddad
Retirado da obra Como as Medicinas Naturais Funcionam

A moxabustão consiste na queima de pequena quantidade de erva seca, geralmente a artemísia (Artemísia Sinensis e Vulgaris), nos tsubôs (pontos de entrada e saída de energia utilizados pela acupuntura), com finalidade terapêutica

O Nei Ching, o primeiro livro de medicina chinesa, compilado pelo ministro Ch'i Po a mando do imperador Amarelo, é a primeira referência da medicina chinesa. Todos os outros escritos, mesmo os atuais, são-lhe decorrentes e coerentes. Nele encontramos explicações originais e básicas para a Filosofia, Psicologia e Medicina chinesas. A acupuntura, a moxabustão, o DO-IN, o Shiatsu são regidos por princípios contidos nele. Muitas outras terapias possuem linhas que se baseiam nele também, como a cromo e a magnetoterapia. De acordo com esses princípios e teorias, todas as patologias são decorrentes de bloqueio energético na Grande Circulação de Energia e a finalidade daquelas técnicas é providenciar a entrada, saída, desbloqueio ou redistribuição dos cinco tipos de energia que reconhecem circular pelos meridianos, promovendo a restauração da saúde.

Como todas as terapias chinesas, há muitas controvérsias na história. Alguns autores dizem que, na China antiga, o uso da acupuntura dominava nos lugares mais quentes, ao Sul, e a moxabustão nos lugares mais frios, ao Norte. Outros dizem que só há mais ou menos 1200 anos que se institucionalizou o uso das folhas da artemísia. Bartolomeu Alberto Neves afirma que há apenas alguns séculos.

Uma das teorias que justifica a moxabustão diz que toda energia que temos no nosso planeta, de uma forma ou de outra, vem do Sol. O Sol é responsável pela evaporação que gerará a chuva, gerando a Vida. As plantas recolhem a energia do Sol e a armazenam. Todos os animais se alimentarão delas, direta ou indiretamente. Coerente.

A liberação dessa energia se dá na decomposição da matéria, seja por digestão, decomposição ou queima. Por esses processos, ao quebrarmos as moléculas que guardam a energia, ela é liberada, seja ao organismo que digeriu a erva ou ao meio onde ela foi decomposta, mesmo por combustão. Isso não é novidade, pois a data de queima de incenso se perde nos primórdios da Humanidade. Um dos métodos é a queima da artemísia nos pontos de acupuntura com a finalidade de canalizar energia a esses pontos, a exemplo da agulha de acupuntura quando é inserida. Podemos também utilizar dessas duas técnicas concomitantemente.

Infelizmente, no Ocidente e povos capitalistas, a queima de uma erva não dá o mesmo status que a inserção de uma agulha, o que faz com que o uso da moxabustão dessa forma tenha seu uso quase que restrito aos casos em que é utilizada em conjunto com a acupuntura.

Uma das limitações tanto à moxabustão quanto à acupuntura é o fato de terem sido isoladas como técnicas. Na medicina naturalista, sempre são utilizadas em conjunto com outras técnicas terapeutas, como exercícios fisiológicos, alimentação adequada e massagens. Por aqui, até o paciente, muitas vezes, quer que a acupuntura seja eficiente para corrigir o seu mal, independente dos esforços que ele próprio faz contra a sua terapêutica.

Existem pelo menos quatro técnicas distintas para a prática dessa arte:

1) Aquecendo alguma região com um bastão grande. Pode ser o dorso, o abdome, um ou mais pontos de acupuntura ou uma área dolorida.

2) Queimando pouca quantidade de erva, em formato cônico, sobre rodelas de gengibre com cinco furinhos ou sal, em pontos. Ou utilizando os cones já industrializados, que possuem a base adesiva para facilitar a aderência ao ponto.

3) usando um cigarro de Artemísia ou certo incenso grosso da erva sobre os pontos.

4) Queimando um incenso qualquer de massinha, não obrigatoriamente de artemísia, sobre os pontos da reflexologia auricular.

Um quinto método, o de queimar pequenas bolinhas de artemísia sobre os pontos de acupuntura (cauterização), pode ser encontrado, mas não o recomendo nem gosto de relacioná-lo como técnica terapêutica, apesar de reconhecer que a cauterização possui seus mecanismos de cura.

Como todas as terapias alternativas, podem ser utilizadas no intuito de canalizar energia ou em acordo com a Fisiologia.

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Bibliografia:
Neves, Bartolomeu Alberto. Tratado popular de moxabustão. Ícone. 2 ed.
Auteroche, B. & Auteroche, M. Guia prático para acupuntura e moxabustão.
Scilipoti, Dr Domenico. Moxabustão. 3 ed. Ícone.

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