Tratamento Complementar
Gastrite

Psicossomática da Gastrite
por Carlos Roberto Serrão Haddad
Da obra Como as Medicinas Naturais Funcionam

Questão. Várias patologias são ditas psicossomáticas. Quadros emocionais se representam no corpo. Como explicar a psicossomática da gastrite? E por que problemas gástricos doem na boca do estômago, se a víscera é profunda e não superficial?

Outro fenômeno utilizado para comprovar a circulação energética é o fato de problemas gástricos, em destaque a gastrite estomacal, doer em ponto distante da víscera e não possuir nenhum neurônio em comum com o ponto dolorido. Certamente, concluíram, a energia que sustenta a víscera passaria por esse ponto.

O mais famoso ponto de alerta é o tsubô VC12, ponto gatilho do músculo retoabdominal e chakra do estômago.

Já comentei, em outro texto, que a Anatomia não encontra relação entre a víscera e o músculo que a envolve e o ponto superficial, deixando o fenômeno a cargo da neuroanatomia embrionária.

No desenvolvimento embrionário humano, os segmentos neurológicos que deram origem aos neurônios, por vezes, enervaram vísceras, músculos e segmentos de pele. Como o estômago, os músculos retoabdominal e diafragma e a região de pele chamada boca do estômago.

Muita coisa passa a ser compreendida, como a psicossomática da gastrite, a partir dessa informação.

Sabemos que, entre as reações orgânicas ao medo e situações de ameaça, está a contratura do músculo diafragma: pessoas que trabalham em ambiente agressivo, possuem contas vencidas, passam por dificuldades familiares ou têm medo de assalto, podem paralisar esse músculo; isto quer dizer que os neurônios do músculo precisam manter acionamento contínuo (são os neurônios que mantêm o músculo contraído); a situação promove reação no neurônio do estômago, provocando aumento na produção de suco gástrico; este suco, que deveria ser produzido apenas quando há alimentos no estômago, agride as mucosas do estômago e do duodeno, facilitando as gastrites duodenal e estomacal; a irritação da mucosa gástrica inclui a irritação dos neurônios estomacais; estes neurônios não sentem dor porque não têm terminais nociceptores, mas são estimulados pelo ácido gástrico; a dor profunda só se dá quando a gastrite está a ponto de ulcerar – perfurar a mucosa, quando aciona terminais nociceptores difusos no músculo que envolve o estômago; aquele quadro (a irritação dos neurônios na mucosa gástrica, mesmo sem a sensação de dor) promove irritação dos neurônios do outro músculo associado, o retoabdominal; estômago não endurece porque não é músculo, apesar de ser envolvido por um, mas problemas gástricos provocam contratura abdominal: justamente o retoabdominal; o ponto sensível é o tsubô VC12, o ponto gatilho deste músculo.

Sabemos que o caminho inverso é atuante: acupuntura, imposição de mãos, moxabustão, protocolos aderidos ou apenas tirinhas de esparadrapo, massagens, enfim, qualquer protocolo que provoque aumento metabólico ou relaxamento de pelo menos um dos músculos (diafragma ou retoabdominal) afeta diretamente a produção de suco gástrico e a respiração. Também sabemos que meditação, yoga e outras técnicas de relaxamento, especialmente se envolvem exercícios respiratórios, atuam melhorando as funções digestivas.

Mas nossa cultura insiste em tratar gastrites apenas com remédios e apenas quando isto não satisfaz ao cliente é que os outros recursos são requisitados.

Quanto ao tratamento da gastrite. Ervas como espinheira santa, saião, sumo de bananeira e, especialmente, óleo de copaíba, quando tomados nos horários certos, costumam promover cura do mal. Mas prefiro as técnicas de meditação e similares porque conseguem afetar os fatores que promovem o mal.

Para entrevista com o terapeuta Carlos Roberto Serrão Haddad, agende pelo e-mail haddad@ibted.com.br ou pelo telefone (21) 9187-3020.

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