| Mecanismos Terapêuticos | |||||||
| Falsa Cura | |||||||
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Por Carlos Roberto Serrão Haddad –haddad.ibted@gmail.com Uma das dificuldades na área da Saúde é o conceito de cura. Pensemos em febre, anemia, depressão, dor nas costas, insônia e bronquite. Cada um destes males é facilmente identificado. Basta um termômetro, um hemograma ou outro exame. Quando esse ou esses exames não mais identificarem o mal, pensamos que a cura aconteceu. Muitas das terapias alternativas seguem o mesmo princípio. Reconhecem a patologia e a tratam no intuito de eliminá-la. Comumente livros de terapia alternativas, no capítulo final, apresentam tabela associando a patologia com o recurso para tratamento. Existem livros com pensamentos e chavões positivistas com o mesmo intuito, pontos de acupuntura, cores, aromas, ervas e inúmeros outros protocolos. Todos com relatos e comprovações de sua eficácia, com os quais concordo e muitos dos quais comprovei. Mas nem todas as linhas terapêuticas concordam que seja assim. Freud foi um dos primeiros a perceber que o homem utiliza seu corpo de forma simbólica. Grande número de suas patologias, direta ou indiretamente, pode ser associado às experiências ou aos desejos humanos. Inúmeras outras linhas terapêuticas ou filosóficas seguir-lhe-ão os passos. Males como hipertensão arterial, contração muscular, ciática, dificuldades digestivas, respiratórias, ou geniturinárias, perda de memória ou raciocínio, enfim, praticamente todas as dores e doenças podem ser interpretadas como sintoma e não como doenças em si. Logo, o alívio do mal – febre, anemia, depressão etc. – não corresponde, obrigatoriamente, à cura da doença. Pense em alguém que convive com falta de verba suficiente para suas mínimas necessidades. Não lhe será difícil lembrar de alguém. Quiçá com dificuldades familiares ou afetivas. Talvez insatisfação com o local que mora ou com os vizinhos. Sabemos que esse estado de alerta e atenção aciona seus sistemas nervosos, afetando-lhe a saúde. Se sua reação orgânica for tensão muscular, ser-lhe-ão recomendados relaxantes musculares; se ocorrer dor, antiálgicos; se sofrer de tiver insônia, neurolépticos; gastrite, problemas pulmonares, perda de memória, enfim, qualquer mal, remédios serão indicados. Muitas terapias alternativas também procedem assim. Em vez de remédio, cores, ervas, acupuntura, imposição de mãos, massagens na sola do pé e muitos outros protocolos. Sabemos que dificuldades sociais ou afetivas provocam aumento de alguns e redução de outros hormônios, afetando a saúde. Mas há quem diga o contrário: que os neurotransmissores é que provocam o mal. Chegam a essa conclusão porque, se injetam certos neurolépticos, o organismo produz o quadro emocional. Mas não é assim que vivemos: ninguém fica injetando hormônios ou algo que lhe afete as emoções. Vivemos nossas relações e é a partir disto que adoecemos. Alimentação, exercícios, pensamentos positivos, ambientes agradáveis, ervas, lazer, massagens e outros recursos costumam ser utilizados para ajudar na equilibração do roganismo. Recursos médicos em destaque. Aparece um sintoma: dor, depressão, cansaço, alergia... Isto pode e costuma ser tratado. Em muitos casos a cura é conseguida, e outros, não. Em ambos os casos, em algum tempo, os exames de rotina identificam outro mal. E a culpa é da genética? Alguns observadores concluíram que o mal pode se deformar de uma patologia física a uma emoção ou a um comportamento. Como angústia que vira depressão, que vira gastrite, que se torna insônia. Como insegurança que vira ciática, que afeta os joelhos ou os calcanhares e que provoca edemas (inchaços). Fácil de perceber quando você acompanha por algum tempo, o seu cliente/paciente. Um bom exemplo observamos na terceira idade. As dificuldades psicológicas aumentam. Além das dificuldades com o próprio sustento, existe a preocupação com os filhos. Aqueles anjinhos, hoje, têm dificuldades amorosas, financeiras, de saúde etc. e seus pais já não podem ser tão atuantes. Experimenta-se a perda de amigos, parentes, cônjuge e até de filhos. As perspectivas ficam muito reduzidas. As patologias são mais frequentes. Para alguém de posses e na meia idade, ao experimentar uma separação ou dificuldade emocional, a psicoterapia será indicada logo após os exames de praxe, pois se reconhece a influência do estado emocional nas patologias. Mas, na terceira idade, todas as suas dificuldades serão naturalizadas e menosprezadas: "são coisas da vida". A dificuldade de levar a vida é tanta que o corpo a expressa com dificuldade locomotora. Ser-lhe-á indicado alguma fisioterapia, talvez diariamente. Não dá para "digerir" o problema e o corpo expressa essa dificuldade com a dificuldade digestiva ou a sua consorte anemia? Bastam-lhe remédios ou vitaminas. Só se buscará auxílio psicoterápico se os remédios não derem conta. O medo e a insegurança fazem contrair a musculatura lombar e prejudicam as funções renais, detonando a hipertensão arterial? Que tal relaxante muscular com analgésicos no primeiro caso ou diuréticos ou alfabloqueadores no segundo? Se porventura piorar a digestão ou aparecer outro problema, haverá um remédio novo, produzido exatamente para o caso. Não que a psicoterapia possa dar conta de tudo, mas é cruel demais, com os mais desfavorecidos, como os da terceira idade, o fato de simplesmente terem tal opção descartada e suas patologias naturalizadas. Se for alguém de baixa renda com dificuldades, basta que tenha pensamento positivo, que a tudo cura. Viu como funcionou com Lair Ribeiro, Louyse Hay e Bárbara Brenann? Levanta, sacode a poeira e dê a volta por cima! Ou, quando é o pobre, alguém fala que dificuldades financeiras pode ser a causa de suas doenças? Alternativas? Essa coisa de rico ou de projeto social para carentes na terceira idade? Se não tiver outra solução, até se tenta depois das técnicas espirituais de cura. Alternativas... apenas um nome para representar as técnicas médicas complementares, as práticas alternativas, as teorias alternativas, as psicoterapias complementares, as parapsicologias, as terapias espirituais e as filosofias alternativas. É... tem muita coisa ainda para conceituar e delimitar antes de podermos apresentar nossa proposta de que o alívio dos sintomas ou da patologia não deve ser confundido com a cura. 1 Instintivos seriam os comportamentos comuns a todos da espécie e que são eliciados sem estímulo. |
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