Tratamento Complementar
Depressão

Clareando a Depressão
Por Carlos Roberto Serrão Haddad –haddad.ibted@gmail.com
Baseado na obra Como as Medicinas Naturais Funcionam

A depressão nem sempre é patológico. Na verdade, ela pode até ter certa utilidade à saúde.

Sei das alterações hormonais, das doenças associadas a este mal, que este estado está na raiz de muitos outros males e que há até casos de suicídio, logo, é sempre delicado lidar com a depressão. Mas continuo reparando que nem sempre a depressão é uma patologia.

Já perceberam que a depressão se dá após um estressamento do sistema nervoso?

Imagine alguém que investiu muito de sua vida na criação dos filhos, para que eles não tivessem tantos sofrimentos quanto seus pais. Se experimentar vê-los com dificuldades que nem eles, nem seus pais, conseguem resolver, podemos imaginar o sofrimento para esse pai ou mãe? Tente imaginar. Do mesmo modo, como se sente alguém que trabalhou por anos para conseguir algo, como uma casa própria, o reconhecimento de alguém, certa companhia até o fim de seus dias etc e fracassou. Dá para imaginar o que é a derrocada de um sonho que durou anos? Calcule, ainda, o sofrimento de ter sido traído pelo seu melhor amigo, seu sócio ou pelo seu cônjuge e nada poder fazer. Sabe como se sente um trabalhador que perdeu o emprego, tem o desejo que seus filhos não passem fome, mas acaba por vê-los mendigar ou ir almoçar na casa dos parentes que o acusam de incompetente? Sabe daquele jovem que se apaixonou perdidamente e não foi correspondido, apesar de ele ter investido tudo que tem?

Perceba: certas situações podem ser responsáveis por um grande sofrimento. A ponto de afetar negativamente nosso organismo. Estados emocionais de grande fracasso, medo e tristeza provocam alterações metabólicas prejudiciais à nossa saúde. É aí que deprimimos nosso sistema nervoso. Com menos sensibilidade, sofremos menos com as reações negativas. Ou seja: o estado deprimido pode ser menos ruim ao organismo que o estado normal quando estamos passando por situação muito ruim. Como uma arma apontada para a cabeça: é tanta adrenalina, que nosso organismo ou deprime ou morre.

Dessa forma a depressão é um mecanismo orgânico de proteção. Se fosse só por isto, não teríamos problemas, mas os temos: o estado depressivo altera a produção de serotonina e noradrenalina, fundamentais para a saúde; muito tempo em depressão promove distúrbios hormonais e viscerais.

  • Uso da depressão

Muitos utilizam a depressão como forma de manipulação. Nunca é uma decisão racional, tampouco reconhecida como "de propósito". O estado depressivo costuma angariar, ao deprimido, certas vantagens, como a atenção dos filhos, os cuidados da pessoa amada, a dispensa de obrigações ou de decisões etc.

Certa paciente, sempre que adoecia, o filho querido vinha de Salvador para visitá-la. Nunca ficava mais de dois meses sem uma crise. A depressão servia para justificar e demonstrar o estado de carência, mas também pode significar a falta de dinheiro, de objetivos na vida ou o desgosto com a situação atual.

Ora, o estado depressivo, como acabamos de ver, angaria aquelas vantagens.  Vemos pessoas sofrendo e, ao mesmo tempo, fazendo os que ama sofrerem sem, contudo, nenhuma das partes conseguir sair dessa rotina cruel.

Freud registrou certa diferença entre o luto e a melancolia. Ele reparou que, regularmente, o luto dá continuidade a um estágio deprimido, de vítima, em que a pessoa em questão desloca o valor que dava ao objeto perdido para si mesma. Como consequência, já não valoriza tanto o objeto perdido, por vezes até o acusa de tê-la abandonada e faz uso de seu estado de vítima para manipular pessoas e situações. Sofre enquanto provoca sofrimento naqueles que ama.

  • Estruturas comuns ao fracasso e ao sofrimento humano:

1- Descarrego em forma de agressividade. Nos filhos, no trabalho, no cão de estimação, em si próprio e até nas coisas. Sabemos, de acordo com certa pesquisa com trabalhadores demitidos em certo país sul americano, que quem mais recebe essa energia é mesmo a mulher, seja esposa ou mãe.

2- Depressão do sistema nervoso, de modo a protegê-lo, como já vimos.

3- Conversão dessa emoção ao corpo, processo estudado pelas linhas psicossomáticas. Músculos se contraem, vísceras se perturbam ou funções orgânicas mostram irregularidades.

4- Sonhos, pesadelos, imaginações, manias e tiques podem indicar que a mente se aliviou e que a energia está em outro lugar, ali, bem ao lado da razão.

5- Pode, até, num processo chamado de isolamento, converter o problema numa fobia. Sim. Fobia também é um processo de defesa. Em vez de manter um sofrimento psíquico grande e constante, o sofrimento pode ser quase que totalmente associado a um objeto ou situação totalmente isolado, de modo que o sofrimento, agora em forma de um medo paralisante, só seja acionado eventualmente.

  • Fama

Outro problema com a depressão é a sua fama. Um povo consumista, como o nosso, reconhece patologias em tudo que pode diminuir o desejo de consumir – se não estamos consumindo, algo deve estar errado. O estado de apatia é um deles. Quem está deprimido, pode estar apenas precisando de uma fase de interiorização, mas ao reconhecer-se na depressão, o próprio paciente se sente doente, agravando e patologizando o estado. A angústia de estar em depressão soma-se à sensação de que algo não funcionou como deveria ou alguém (às vezes ele mesmo) não é como deveria, fazendo aparecer a sensação de culpa, o que agrava a sensação desagradável.

Existe um quadro especial que deveria restringir terapeutas alternativos de propor suas terapêuticas em casos depressivos sem acompanhamento de médico e psicólogo. Em certo tipo de psicose, os esforços do paciente em sair da depressão podem levá-lo ao suicídio. Certos casos de depressão requerem profissional habilitado e experiente. Apesar disto, quase todo mundo costuma tentar ajudar os seus que estão deprimidos.

Outra crítica que considero sustentável é quanto ao protocolo mais utilizado pela sociedade: ofertar-lhes oportunidades. Fazer compras, sair, se divertir, passear, cortar os cabelos, mudar o visual, contar casos... coisas que, ao estimular seu sistema nervoso e aumentar sua sensibilidade, pode aumentar-lhe a sensação de fracasso ou perda, agravando a situação, facilitando o processo de vitimização, e o deixando ainda mais dependente desse quadro doentio. Mais um motivo para que a depressão seja sempre acompanhada por profissionais competentes.

Certamente não pretendo fazer uma apologia à depressão, mas apenas defender o direito de uma pessoa passar um período mais interiorizada, quase que hibernando acordada, sem que a façam se sentir doente. Só porque não está inserida no sistema de consumismo exagerado, em busca frenética de prazer e posses e lutando por justiça social, mas deslocada dos ideais globalizados, caracterizamos uma patologia: a depressão.

O preço? O de sempre: quando curamos um sintoma, seja angústia, agressividade, depressão ou manias, o preço pode ser a conversão da energia ao corpo, o aparecimento de manias (TOC) ou fobias ou de outra patologia qualquer.

Para entrevista com o terapeuta Carlos Roberto Serrão Haddad, agende pelo e-mail haddad@ibted.com.br ou pelo telefone (21) 9187-3020.

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