Mecanismos Terapêuticos
Confusão Psi

Muita gente confunde o trabalho de um psicólogo com o de um psiquiatra. Não é para menos, dado que:

  1. Ambos tratam de males que, supõe-se, está na cabeça;
  2. Ambos costumam compreender certas patologias como sendo do seu campo e não do outro;
  3. Ninguém se preocupa em definir essas diferenças.

Para complicar, outras profissões se utilizam do radical psi – Parapsicologia, psicopedagogia e psicomotricidade, entre as mais famosas. E o leigo, ninguém respeita?

As diferenças são gritantes, em especial para o psiquiatra: é um médico com especialização na área e com a proposta de debelar, seja com remédios, internação ou cirurgia, o mal angústia ou vícios.

O psicoterapeuta não estudou tanto fisiologia, mas compreende o mal – seja vício, angústia, pânico ou insônia, como uma representação de outra coisa, que procurará investigar. Para ele, os males que trata não ocorrem por acidente, não são de origem genética nem pela natureza biológica do homem, mas uma representação de coisas valiosas, importantes, da vida do próprio indivíduo. Nessa linha, o desgaste emocional promove seqüelas neurológicas que podem ser tratadas com fármacos, mas essas deficiências bioquímicas não são, de fato, a origem do mal.

O que muita gente não sabe é que não se precisa ser um psicólogo para ser um psicoterapeuta. Inúmeras associações de psicanalistas, por exemplo, aceitam profissionais em seus quadros que não possuem curso de graduação em Psicologia.

Um Psicólogo recebe esse título ao completar o curso de Psicologia, mas nem sempre envereda pela psicoterapia. Muitos preferem a área de recursos humanos ou a escolar. Outros, se afastam das abordagens acadêmicas e se voltam às terapias alternativas, muitas vezes até com fundamentação espiritualista.

Por parapsicólogo entendemos os profissionais sem a graduação de Psicologia que se propõem a estudar e lidar com certos fenômenos psi. Curioso perceber que, se o profissional tiver a graduação, mesmo que ofereça o mesmo serviço, ele tem o direito – e o utilizará – de ser chamado de psicólogo, apesar dos protestos acadêmicos.

Os parapsicólogos se utilizam de experiências diretas de seus clientes, algo que a academia descartou desde a época do Freud. As sensações de verdade, sejam memória, lembrança ou insigth, apesar de sempre terem o status de verdade para quem as teve, nem sempre são verdadeiras: lembramos de coisas que imaginamos, que pensamos ter feito, que nos fizeram pensar na infância e que podemos criar para explicar alguma questão, com o mesmo valor de verdade dos fatos que, efetivamente, fizemos. Assim, apesar de os parapsicólogos se intitularem como ciência e conseguir até algum apoio da mídia, como se utilizam de dados impossíveis de repetir com metodologia científica, recebem o radical para junto ao nome psicologia, que quer dizer, fora, em paralelo.

Quanto à psicopedagogia e à psicomotricidade, são técnicas com fundamentação teórica no campo psi mas atuam em outros campos. A psicopedagogia lida e pode promover resultados positivos no comportamento humano, especialmente voltada para o juvenil, mas não a este restrito. A psicomotricidade, mais próxima da neurologia que as outras técnicas psi, também traz contribuições no campo da adaptação dos indivíduos, mas essas duas – a psicomotricidade e a pisopedagogia – em nada se aprofundam nos processos intrapsíquicos do indivíduo, distanciando-as do trabalho do psicólogo e do psicoterapeuta, o que não impede que alguns destes se aventurem nessas sendas. Lamentável apenas o fato de alguns profissionais dessas serem confundidos com psicólogos, para prejuízo dos clientes.

Muito ainda se poderia falar, tanto a favor quanto contra, essa salada psi, mas seria quase inútil, já que um desses profissionais costuma navegar e até se regulamentar nas outras áreas. Mas fica o alerta aos leigos: procurem conhecer melhor a proposta de cada uma delas e, em especial de cada uma das técnicas psicoterapêuticas, antes de se submeter a um desses trabalhos. Muitos são os que, pela escolha incorreta, tomaram horror à Psicologia ou o hábito de ridicularizar esse campo.

Para entrevista com o psicólogo Carlos Roberto Serrão Haddad, agende pelo e-mail haddad@ibted.com.br ou pelo telefone (21) 9187-3020.

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