Tratamento Complementar

Bronquite


Metadiagnose da Bronquite
por Carlos Roberto Serrão Haddad
Da obra Como as Medicinas Naturais Funcionam
Reflexões sobre a gênese da bronquite

Casos clínicos

M., 14 anos, tem asma desde os 2 anos de idade, uma doença pulmonar obstrutiva crônica.

R., 41 anos, nunca pensou em ter problemas respiratórios pois aprendeu a respirar em curso de canto coral, pratica mergulho submarino, nunca fumou e nunca teve problemas respiratórios além de alguma garganta inflamada. Ficou admirado ao descobrir que estava com bronquite.

L., 68 anos, lutou para conseguir ir morar na cidade dos seus sonhos, na região serrana. Teve de retornar ao Rio porque desenvolveu enfisema pulmonar que agravava quando ele estava por lá.

Em comum, todos eles têm um sintoma e uma queixa. O sintoma, broncoconstrição e mucosidade nos brônquios, dificultando a respiração. A queixa, se sentem severamente afrontados e oprimidos no local onde vivem ou trabalham.

 

Reflexões

Conheço os pais de M., hoje separados. Na época em que ela começou a ter os sintomas, eles discutiam constantemente na presença dela. Até hoje, ela é uma das ferramentas na discórdia do casal. Os avós e a mãe, com quem convive atualmente, mantém agressividade maior que o normal, além das constantes acusações ao pai da jovem. A jovem é elétrica, sua dificuldade de concentração se reflete nos estudos e, ao mesmo tempo, ela se reconhece como tímida, pois tem dificuldades em fazer e manter amizades. Suas queixas mais comuns voltam-se ao ambiente familiar, sempre inflamado e opressor.

R. é meu conhecido de longa data. Está sempre bem disposto. Investiu profissionalmente em certa atividade, em certo grupo, por alguns anos. Sofreu problemas sérios no ambiente de trabalho justamente quando desenvolveu sua primeira bronquite, no segundo período de 98. Naquela época, suas queixas sempre se voltavam às dificuldades que lhe eram impostas arbitrariamente, apesar dos seus esforços. Assumiu a necessidade de mudar de trabalho enquanto convalescia.

 L., levado pelo ímpeto de agradar certo familiar que tratava como um filho, cedeu-lhe boa parte de seu patrimônio. O afastamento desse familiar o entristeceu, tanto que evita diálogos até com a própria esposa. Pouco depois, teve sua primeira internação provocada pelo enfisema. Apesar dos esforços médicos e de ter retornado ao Rio de Janeiro (uma recomendação médica), sua patologia constantemente reincidia, levando-o em menos de 4 anos.

Todos sempre estamos, de certa forma, sob pressão. Mas, nos casos em questão, essa pressão parece estar acima das suas capacidades resistivas.

 

Algumas opiniões

Para Louise Hay, asma refere-se à "amor sufocante, incapacidade de respirar por si, sentindo-se contido, choro reprimido"; bronquite, à "ambiente familiar inflamado, gritos e discussões, às vezes, silêncio demais" e enfisema, "medo de absorver a vida, não se considera digno de viver".  Todos têm a ver com o meio ambiente.

Uma linha neoreichiana concluirá que quando um alvéolo pulmonar se inflama e se retrai (o que acontece na bronquite), dificultando as trocas com o meio, isto representa um indivíduo que se assim fez com o seu ambiente.

A Medicina Tradicional Chinesa associará a bronquite com a questão do Metal, um dos Cinco Elementos nas teorias de base, justamente o elemento que rege os pulmões, o intestino grosso, a pele e, é claro, o meio ambiente. Dessa forma a MTC faz coro ao reparar a influência do meio nos problemas pulmonares.

Mesmo a psicanálise, que em nada se compromete a analisar ou supor à priori, pode entender a sensação de afrontado como uma expressão do inconsciente à opressão.

Todas essas conclusões se deram decorrentes da observação. Observando-se  casos de doenças pulmonares obstrutivas, fica fácil perceber que o paciente, em relação ao seu meio ambiente, regularmente se sente mais afrontado que a maioria das pessoas, ameaçado mesmo, mais do que suas capacidades de adaptação permitiriam. O seu organismo grita: "sinto-me ameaçado!" pelos sintomas. Talvez não seja a agressividade do ambiente, mas o medo da perda da mãe, do pai ou do emprego. Talvez não seja o silêncio demais ou apenas a paralisação do diafragma, mas os fatores desencadeantes, como umidade ou alérgicos. Mas responsabilizar apenas estes últimos parece muito simplista.

 

A explicação mais em acordo com a Fisiologia

Certa linha psicossomática explica assim. Sabemos que uma situação de ameaça aciona o sistema nervoso simpático. Uma das reações é a contração dos músculos torácicos responsáveis pela respiração, em especial o diafragma, músculo entre o tórax e o abdome. O pulmão esquerdo se divide em dois lobos e o direito, em três. Com a contração do músculo diafragma, especialmente os lobos inferiores têm a dilatação prejudicada. Até água parada estraga. O ar, retido no pulmão, sem a devida renovação, facilita o desenvolvimento de bactérias e vírus. O organismo, reconhecendo o risco e a quantidade de vírus no pulmão, aumenta a produção de glóbulos brancos. Os glóbulos brancos podem, como sabemos, passar pela mucosa nasal  no intuito de capturar agentes nocivos. É o famoso catarro. O muco se dá em vários outros locais, como no sínus, na garganta ou nos brônquios, como nos casos em análise. Ou seja: ambientes agressivos ou medos contínuos facilitam a paralisação do diafragma, que promove certa virose no ambiente pulmão, que por sua vez facilita a mucosidade, que irrita as mucosas.

 

Fundamentação

Acredito que o conhecimento do processo de neotenia poderia dar mais crédito a essas possibilidades teóricas.

Se compreendêssemos o ser humano como um animal que ao nascer possui muitos neurônios e, ao mesmo tempo, faltam-lhe alguns sistemas neurológicos encefálicos que só estarão prontos por volta do oitavo mês de nascido, as relações pueris e a cultura, assim como a percepção que se forma nessa idade, são fundamentais para a compreensão de seus mecanismos de adoecimento e cura.

 

Como se trata

O primeiro esforço é na direção de limitar o sintoma asfixiante. Nas crises, indica-se inalação com broncodilatadores. Se não resolver, metilchantinas[1]. Se, mesmo assim, a reação não for satisfatória, utilizam-se corticóides. Os exames podem até sugerir o uso de antibióticos, mas as crises sempre devem ficar aos cuidados médicos. O tratamento alternativo pode colaborar e, especialmente, somar protocolos preventivos. Como exercícios respiratórios que facilitem a respiração abdominal.

A imersão n’água, além de fortalecer os músculos torácicos, comprime o pulmão, ajudando a esvaziá-lo, justificando a natação em alguns casos. Este movimento fólico colabora na limpeza dos pulmões inferiores. Nesta prática devemos avaliar a temperatura ambiente: já vi pessoas saindo cianóticas da aula na piscina; a água fria reduz o movimento fólico dos pulmões, com prejuízo na função respiratória. Só indo para o balão de oxigênio.

Yoga, Chi Kun's e certas artes marciais desenvolvem ótimos exercícios respiratórios em suas práticas.

Protocolos domésticos

Os protocolos domésticos complementares são os mesmos desenvolvidos no texto Leite e Catarro.

Para entrevista com o terapeuta Carlos Roberto Serrão Haddad, agende pelo e-mail haddad@ibted.com.br ou pelo telefone (21) 9187-3020.


 [1] Esta prática, comum quando este texto foi escrito (1995), deixou de ser.

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