Tratamento Complementar
Artrose com Osteoporose

Artrose com Osteoporose: falta ou excesso de cálcio?
por Carlos Roberto Serrão Haddad

Da obra Como as Medicinas Naturais Funcionam

Questão. Por que, sendo bico de papagaio e esporão de calcâneo excesso de cálcio nas articulações e osteoporose a falta do mesmo elemento nos ossos, esses dois males constantemente ocorrem na mesma pessoa? Ou, de outra forma: como é possível, ao mesmo tempo e no mesmo organismo, haver falta e excesso de cálcio?

O cálcio, para ser utilizado pelo organismo, tem de ser quelado. É para isso que serve a digestão.  Sem ela e com excesso de cálcio sobrecarregando os rins, esse mineral promove diversos males, inclusive rigidez motora, arteriosclerose e artrose.

Sabemos que, a partir dos 4 anos de idade, reduzimos até paralisar a produção de lactase, enzima que desdobra a lactose (açúcar do leite) em glicose e galactose. Um, em cada grupo de três adultos com 30 anos e dois, em cada trio com 60 anos, não produzem nada de lactose. O restante, apenas um pouco.

Mas não é só quanto ao açúcar que vamos perdendo a capacidade digestiva. Também perdemos a capacidade de quelar o cálcio, calcula-se que entre 30 e 40 anos de idade.

Os estudos sobre a massa óssea mostram que nossos ossos ganham substancialmente consistência até 18 (mulheres) ou 20 (homens) anos de idade, em média; após essa idade, o ganho é pequeno até o período de 30-35 (mulheres) e 35-40 anos (homens); a partir daí, começam a perder cerca de 1,5% ao ano, em homens e mulheres. Não apenas massa óssea, mas também músculos e ligamentos. Motivo: redução do cálcio quelado, também responsável pela diminuição da quantidade de osteoblastos, responsáveis pela formação dos ossos.

E como costumamos manter o consumo de leite, o cálcio bruto (não quelado) fica em excesso. Somando a redução das atividades das vísceras, como os rins, resta ao organismo depositar esse cálcio em juntas, articulações, bicos de papagaio, esporões... enfim, artroses, pedras e enrijecimento muscular.

Muitos trabalhos se somam no seguinte alerta: leite pode adoecer. Encontramos contribuições nos livros das medicinas naturais e até na literatura médica, como o do Dr Carlos Leite[1] que relata caso de retocolite ulcerativa (doença crônica, cíclica, caracterizada por diarréias mucosanguinolentas e dores abdominais) provocada por leite e enumera trabalhos que incriminam o leite em outras patologias, a saber:

  1. colite, hemorróidas, aftas, coceira anal;
  2. asma (especialmente em crianças), congestão nasal, rinites;
  3. dores musculares e articulares;
  4. dermatites;
  5. sinais oculares (círculos escuros ao redor dos olhos);
  6. catarata;
  7. insônia e agitação;
  8. arteriosclerose e outros males!!!

O mesmo autor relata uma pesquisa com gatos em que o grupo alimentado com leite pasteurizado apresentou diversos problemas comparados com o grupo alimentado com leite cru, entre os quais, deficiências  ósseas e irritação. 

Sabemos que o leite contém cálcio. Mas esse cálcio não é facilmente quelável. Calcula-se que apenas 0,1% do leite pasteurizado e 0,02% do leite em pó e dos reconstituídos (como os leites de caixinha). O resto do cálcio só será utilizado para os males já comentados.

Sabemos da importância do cálcio no crescimento infantil e para a economia nacional, mas recomendo que o leitor busque informações sobre outros fatores na absorção de cálcio e no tratamento das artroses e osteoporose. Como as atividades que beneficiam ou prejudicam as funções digestivas e renais, a tabela de alimentos quimicamente combináveis do Dr Alcides Bomtempo, os produtos que possuem cálcio quelado ou facilmente quelável pelo nosso organismo como as carnes. E, em especial porque quase não divulgam, os mecanismos que facilitam ao cálcio quelado chegar aos ossos já que as cartilagens e a maioria dos nossos ossos não são nutridas por artérias.

 

Bibliografia

1 - LEITE, Carlos Eduardo. Nutrição e Doença. IBRASA: São Paulo.

Para entrevista com o psicólogo Carlos Roberto Serrão Haddad, agende pelo e-mail haddad@ibted.com.br ou pelo telefone (21) 9187-3020.

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